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artesão da cinematografia

Curved Street, por Nuri Bilge Ceylan

Curved Street, por Nuri Bilge Ceylan

Arte de alta qualidade, é isso que Nuri Bilge Ceylan faz.
Nascido (1959) e criado em Istambul, Ceylan pode ser considerado uma das cabeças mais promissoras do cinema artístico contemporâneo. Fotógrafo desde os 15 anos, interessou-se pela sétima arte aos 22, quando descobriu “O Silêncio” – último filme da “Triologia do Silêncio”, de Bergman.

 

Em 1995 lançou-se no mercado cinematográfico com o curta-metragem Koza e em 1998 ele escreveu, dirigiu e filmou seu primeiro longa, o belíssimo Kasaba.  A partir daí, sua arte não encontra mais barreiras.

Na maioria de suas obras (e isso inclui seu trabalho fotográfico), Ceylan trata do existencialismo humano e individual,  retratando a monotonia daquilo que considera como “verdadeiras vidas” através de pequenos detalhes – mas que acabam criando grandes personagens.

A carga emocional contida em seus trabalhos é supreendente, e boa parte disso acontece pelo fato de que Ceylan é avesso ao dramatismo de atores. Para conseguir a naturalidade desejada, os intérpretes de seus filmes são seus amigos, familiares ou ele mesmo (como no caso de Iklimler [Climates], 2006) e os cenários, lugares já conhecidos (Uzak, por exemplo, foi filmado em seu apartamento). Aliando isto às longas tomadas estáticas, Nuri atinge uma espécie de interiorização máxima das personagens, seu chamado “fluxo de consciência estética”.

cena do filme Kasaba

cena do filme Kasaba

Essa busca para aprofundar os sentimentos se desenvolve de uma maneira singular – com um quê de Antonioni, Bergman e Tarkovski – num mundo vago e com poucos diálogos. As dificuldades e complexidades da vida, em paralelo com a própria sociedade, são retratadas de forma minimalística.

E como estamos falando de um cineasta-fotógrafo-faz-tudo (afinal, é ele quem escreve, digire, filma, fotografa, produz e, por vezes, atua ) os detalhes técnicos também são únicos. Começando pela própria fotografia:  seus  planos de imagens são deslumbrantes. Ceylan abusa de sombras, tons escuros e introspectivos  para “esconder” o rosto do ator  (isso quando ele não o filma de trás), na intenção de fazer com que o espectador descubra – e até mesmo sinta – as emoções do personagem  naquele momento.

Outra peculiaridade de Nuri é sua preocupação com a ambientação sonora: as portas abrindo e fechando, a gota de água caindo na chapa  do fogão à lenha, os carros passando numa rua distante e até mesmo o barulho irritante das moscas… Tudo aquilo que, para nós, passa despercebidos por ser  “insignificante” em nosso dia-a-dia, para Ceylan é importante, pois cria a narrativa sonora (nota-se a quase ausência de música em seus filmes).

Nuri Bilge Ceylan é mais do que grandioso. Talvez seja por isso que ele sempre acrescenta alguma particularidade de sua vida em suas obras… para obter uma espécie de reconhecimento por aqueles que, assim como ele, tem capacidade maior de observação.

Quem quiser saber mais sobre todos os filmes e seus respectivos prêmios conquistados, basta acessar seu site. Lá você também encontra uma segunda parte, voltada essencialmente para seu trabalho como fotógrafo.

Backyard, por Nuri Bilge Ceylan

Backyard, por Nuri Bilge Ceylan

 

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